Velhos e Moços

Francinaldo Rafael

Discute-se qual a melhor época da vida: a da infância despreocupada, da juventude cheia de sonhos e energia para mudar o mundo ou a velhice que acumula experiências. Cada um argumenta conforme lhe é conveniente e a conversa termina sem vencidos ou vencedores. Conforme Rousseau, na juventude deve-se acumular o saber. Na velhice, fazer uso dele.

 

Essa discussão sempre existiu inclusive entre os apóstolos de Jesus. Vamos encontrá-los nos registros do espírito Humberto de Campos, envoltos nesse choque de opiniões no idealismo e ingenuidade dos mais jovens. Pensavam consigo o que poderia realizar Simão Pedro, chefe de família e com muitos deveres, tal qual Mateus, ambos os mais velhos do grupo.Simão acompanha as discussões humilhado. Sentindo o declínio das forças vitais, a seu ver já não contribuía a contento com os serviços do Evangelho. Procurou o Mestre para expor as dúvidas. Jesus, conhecedor das emoções de cada um, disse-lhe:"Simão, poderíamos acaso perguntar a idade de Nosso Pai? E se fôssemos contar o tempo, na ampulheta das inquietações humanas, quem seria o mais velho de todos nós? A vida, na sua expressão terrestre, é como uma árvore grandiosa. A infância é a sua ramagem verdejante. A mocidade se constitui de suas flores perfumadas e formosas. A velhice é o fruto da experiência e da sabedoria. Há ramagens que morrem depois do primeiro beijo do Sol, e flores que caem ao primeiro sopro da Primavera. O fruto, porém, é sempre uma bênção do Todo-Poderoso. A ramagem é uma esperança; a flor uma promessa; o fruto é a realização. Só ele contém o doce mistério da vida, cuja fonte se perde no infinito da divindade!".E o Mestre continuou esclarecendo-o que essa imagem pode ser também a da vida do espírito, com a diferença de que aí as ramagens e flores nunca morrem, caminhando sempre para o fruto da edificação. "A existência humana é uma hora de aprendizado no caminho infinito do Tempo". E diante do sentimento de envelhecimento de Simão que temia não resistir aos esforços necessários, Jesus argumentou que os moços de amanhã não poderão fazer coisa alguma sem os trabalhos dos que hoje estão envelhecendo. E que não se ofendesse diante do discurso dos mais jovens, pois a flor pode ser o princípio do fruto, mas também pode enfeitar o cortejo das ilusões.

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